9 de janeiro de 2008

ISSO É ZATOICHI


O homem parou no tempo quando da imbricação trabalho-tempo-sobrevivência, os egos e egoísmos entraram em ascensão tal que somente após séculos e mais décadas de pensamento filosófico e lingüístico é possível tentar analisar com um pouco mais de certeza empírica que realmente caminhamos ou para uma evolução, ou para um término císmico-cármico, que certamente também é evolução.

Se de outro ciclo virá outro, e se desse outro passaremos a nada saber, e depois sofrer e aprender até que outro abalo se nos ocorra não posso dizer.

Quero escrever esse tempo, essa era. Testemunha ocular, sempre e somente. Esse é, assim, meu fim que tanto carrego. Atuo na tua sondagem e no meu crescer.

Carma coletivo, ou não, em todas as civilizações lá se haviam terra, campo, trabalhador-braçal-do-campo.

Pra lá se tinha cidade, elétrica, a esticar e amontoar os excessos dos explorados de cá.

Marchadeira corta o machado. Braço forte, trabalhado.

Ponho na cesta o que colho, levo pra ti e tudo se faz bem cedo. Lá quando a vida começa e só se vai terminando ao anoitecer quando da hora que acordei, trabalhei, produzi e alimentei família.

Ah, não deixo que me explorem de lá. Que usem minha falta de bem falar, expressar pra tentar mostrar o que verdadeiramente nem precisa se falar.

Se não caio em ti sistema, deito pra acordar, refrescar as idéias que não param de me ocorrer.

Fico livre de ti sistemática cidade, de pessoas sistemáticas, em ruas de paisagem sistemática.

Fico aqui da casa da árvore que sempre quis ter e pelo menos imagino um jeito de elucidar. Pra vocês que se batem e que não se encontram. Que correm até dez pras-sete, e das sete em diante retornam estafados, descabelados.

E que só amanhã de manhã por-se-ão a funcionar novamentemente em nome do tão sonhado crescimento dos bolsos próprios, dos egos próprios e do fracasso da pretensa evolução que se fecha a cada vagão que te leva-a-lugar-nenhum.

Inspirado em Zatoichi, filme de Takeshi Kitano.

O CASAMENTO PERFEITO


Acredito que todo e qualquer problema começa de um ponto fundamental, no qual se acoplam uma série de outros comportamentos e sentimentos.

Depois que o mundo sofreu a maior ruptura da história, quando da queda moral e ética do cristianismo, o mundo se foi mudando ao passo de outras transformações.

Com a guerra, o abuso de poder e da classe trabalhadora o homem foi se enfraquecendo e enriquecendo em uma série de fatores distintos.

Muitos autores já sugeriram que a deterioração da personalidade nos tempos modernos e pós-modernos acompanham a história obscura e cheia dos resquícios dos sofrimentos do qual fazemos parte. As emoções, desejos e sensações se foram alterando.

Quando dizia dos pontos fundamentais ao entorno do qual os problemas se estruturam, o principal deles se relaciona ao campo dos relacionamentos afetivos. Comecemos, então, do ninho de onde se desenvolvem os outros laços. A família. E falemos abertamente.

Misturando essa linguagem de blá-blá-blá acadêmico sugiro que o leitor embarque na possível viagem de um casamento ideal.

O casamento perfeito parte I:

Homens e Mulheres precisam compreender e aceitar suas conjecturas e características específicas dos sexos, sempre equivocadamente (mal) cobertos pela mídia nas chamadas “reportagens especiais”.

Premissas de difícil deglutição devem ser aceitas.

No casamento ideal as pessoas se unem por afinidades e é através delas que são criados a admiração, carinho e respeito, que são os pilares do amor.

Esqueçamos, ó senhor, de uma vez por todas a história das “metades - tolas - da laranja”. Ninguém deve ser metade de alguém. No amor nada se pode pôr a perder.

O crescimento intelectual e espiritual que se desenvolve em períodos únicos e distintos mantém-se fiéis a cada um. Esse é o contrato.

Sinceridade, que gera confiança e respeito são obviedades. Talvez esquecidas ou obscurecidas nos entremeios das mensagens dos avatares da história, mas devemos refazê-las assim: te dou confiança, e em troca recebemos-nos nossa tranqüilidade.

Ah, sim! Não sou terapeuta de casais ou algo que o valha. Na verdade dediquei minha vida a ver o que não se vê assim logo de cara. Acabei me interessando por entender umas das coisas mais difíceis da vida que, infelizmente, “samo nozes”.

Viver é delicioso e complicado. São pólos muito extremos para que possamos discernir o que é a realidade e o que é o engano e confusão do nosso retardado inconsciente. Esse doido varrido e desequilibrado.

Acredito na teoria do caos, porque geralmente a poeira abaixa depois do turbilhão. É só pagar pra ver. Uma das formas, retomando a minha idéia – ou convicção?-, do casamento ideal seria apegar-se a todos os sentimentos que sejam os mais singelos possíveis. Hein..?

Que o amor se faz e se constrói na atividade do dia-a-dia é ater-se aos grandes clichês - toscos e mal argumentados - da história. O amor e o casamento são rituais da existência que emergem de uma experiência maior, individual e paralela.

Quem se preocupa em amadurecer internamente, certamente estará disposto a engolir o que é difícil de engolir, respeitar o que é difícil respeitar, e aquilo que não se pode mudar, apenas conviver.

De um comportamento ideal desses, e espero que não imaginário, filhos e família e amores se vão construindo com seus abalos, certezas e transformações. Mudanças das etapas da vida que sempre estarão à espera de comportamentos inovadores.

Finalizaria a minha idéia ideal do casamento ideal que vou construindo dizendo que as liberdades e experiências individuais também são os ideais dos filhos.

Seria realmente perfeito, ainda mais, se os pais, por uma questão básica de ordem de nascença, fizessem o favor de deixar de apagar o filme da juventude e rebeldia deles. E parassem um pouco com essa postura paternalmente paternal. E boba. Porque é frágil.

Também por questão de ordem de nascença, afinal a gente sofre e capenga a vida toda pra aprender a ser humilde, educado e paciente (ainda mais numa cidade dessas...!!!), o único delicioso objetivo disso tudo é passar esse conhecimento à diante.

E assim caminha a humanidade. E tal...

Logo, os pais lá do casamento perfeito iriam aprender a relevar os desequilíbrios da pior fase da existência da vida! Os adolescentes nada mais são do que aquelas mesmas pessoinhas os quais os pais deram à luz e que enfiaram na cabeça deles as melhores coisas que puderam.

Batidas de porta, gritos, falta de respeito, dizer que odeia o pai, a mãe e a família toda até a quadragésima quinta geração dos seus bisavós nada mais são do que a fase da diferenciação. Olha que bonito! O pessoal crescendo e tal...

É quando o adolescente PRECISA, por questões de sobrevivência, achar algum defeito em toda a vasta criação de seus pais, procurar pêlo em ovo, onde está o Wolly...

Só assim as pobres coitadas dessas pessoas podem se auto-afirmar. Deixa. Deixa pai! Ô!

E no final das contas os jovens adultos voltam sempre felizes e sem mágoas pra casa dos “coroa”. E certamente, agradecidos por tudo o que fizeram.

Isto posto, e para completar a euforia que se abate sobre o ideal do casamento perfeito que aqui empreendi, peço que finalmente, pelo amor de deus, “façavor”, “pelamor”, que as pessoas assumam suas profissões, afazeres, responsabilidades e rédeas da vida.

Ninguém merece mulher com cara de depressão profunda e princípio de “revirginação” ou “trancamento de vagina”, ou seja lá o que for, que não sai de casa e ainda põe a culpa no pobre coitado do diacho de marido que ELA escolheu pra vida.

E que todo mundo falou...

O famoso”eu falei pra você”da sua ta-ta-ta-ta-ravó.

A família sempre estará presente, da formatura à comemoração de mudança de cargo ou aumento de salário “mínio”. No entanto o que só nós podemos fazer são as tais das realizações pessoais.

Não refletir sobre si pelo menos trinta minutos por dia, ficar andando aleatoriamente pela vida e sem rumo é prejudicial à saúde. Se o seu caso for esse, faça flexões...! De se autoconhecer todo o resto depende.

O resto que não se realiza fora de si é frustração, mágoa, arrependimento, acomodação e desamor. E combinemos aqui que isso dá gastura. Evite.

5 de janeiro de 2008

Saudade do avô que não conheci


“Seu avô fazia remédios naturais. Às vezes, até curava o povo mesmo. E sempre recebia um kilo de farinha, feijão, ou um bode em agradecimento”. E assim se faziam as trocas na época do meu pai. Hoje, em uma mão só pegas o teu produto se na outra o cheque já estiver devidamente assinado.

Assassinado toda e qualquer forma de compaixão humana.

Sobre os pais da gente


Quando saímos de casa é porque queremos que nossos pais se tornem os heróis que sempre sonhamos, quando já fizemos de nós mesmos o que realmente gostaríamos sempre ter sido.

Do nosso crescimento particular excluímos tudo o que não queríamos de nossos pais, nossos defeitos tão iguais aos deles que o espelho mal podia destacar.

No entanto, ao notar que porventura deixamos pra trás tudo aquilo que sempre amamos neles e nunca dissemos ou percebemos, passamos a descobrir as coisas mais valiosas de nós mesmos, mérito deles nunca antes dado.

Na gaiola dos behavioristas


Nessa época de tantos transtornos, confesso que também sou lá meio transtornada da vida. Mas agora já não me rendo, obsessivo e compulsivo transtorno. Já tenho contra ti um grande trunfo. Descobri onde o ciclo começa e termina. Ou não? Ou os obsessivos não se vêem a si como ratinhos a rolar na gaiola dos behavioristas?

É sempre do mesmo jeito que tudo começa. Depois que você está preparado para acordar às dez para as seis da manhã (naturalmente, esses dez minutos que antecedem a hora que você realmente deveria acordar são os mesmos dez minutos que você pode economizar fazendo cocô), coloca seus dois pães na chapa, enquanto ferve a água do café que sairá dali a dois minutos e meio.

Aí, pega o trânsito, liga na mesma música, dos mesmos cd´s ouvidos em situações de estresse ou tristeza.

Fecho o carro. Paro, penso. Ando mais dois passos e penso que seria melhor conferir se o carro realmente estaria fechado. Afinal é muito mais trabalhoso agüentar-se perguntando por horas a fio se o carro estaria realmente fechado, nas imagens que tento relembrar de mim desde que dele sai.

Depois do dia corrido, chega em casa, toma banho. Passa a bucha ensaboada de duas a três vezes para tirar o suor do corpo.

Entro na cozinha e frito os bifes que deixei temperados desde ontem. Chego sempre com fome e tudo deve estar em ordem. Lavado, passado, temperado. Ou seriam mais quantos rituais?

Assim já me canso de mim. De me ver rodando na roda que é a única diversão do ratinho. Fora dele, só um copinho com água empoeirada, ração amontoada e um mundo entrecortado por entre as hastes da gaiola.

Hoje, 23 anos, descubro que a única diversão do ratinho não é a roda. Os breves respiros de liberdade, de mundo lá fora de mim, se fechavam a cada vez que não me percebia andando em círculos. Joguei a chave.

O que seria do ratinho se ele percebesse a possibilidade de uma vida nova? Sinto a oportunidade se me entrando pela alma.